"*RÁDIO SOTELO*"

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


A MENTIRA

O oposto da verdade. Mentir geralmente envolve dizer uma falsidade a alguém que tem o direito de saber a verdade, e fazer isso com a intenção de enganar ou prejudicar a este ou a outro. A mentira nem sempre precisa ser verbal. Pode ser expressa também em ação, quer dizer, alguém pode viver em mentira. O verbo hebraico que transmite a idéia de falar aquilo que não é verdade é kazáv. (Pr 14:5) Outro verbo hebraico, shaqár, significa “tratar ou agir com falsidade”, e o substantivo é traduzido “mentira; ilusão; falsidade”. (Le 19:11; Sal 44:17; Le 19:12; Sal 33:17; Is 57:4) A palavra hebraica shaw’, às vezes traduzida “inveracidade (inverdade); falsidade”, refere-se basicamente a algo sem valor, vão, fútil. (Sal 12:2; De 5:20; Sal 60:11; 89:47; Za 10:2) O verbo hebraico kahhásh (enganar) evidentemente tem o sentido básico de “mostrar-se desapontador”. (Le 19:11; Os 9:2) O termo grego pseúdos e palavras aparentadas têm que ver com mentira e falsidade.

O pai, ou originador, da mentira é Satanás, o Diabo. (Jo 8:44) Sua mentira, transmitida por meio duma serpente à primeira mulher, Eva, por fim causou a morte desta e de seu marido, Adão. (Gên 3:1-5, 16-19) Essa primeira mentira estava arraigada no egoísmo e no desejo errado. Visava desviar o amor e a obediência do primeiro casal humano para aquele mentiroso, que se apresentara como anjo de luz, como benfeitor. (Veja 2Co 11:14.) Todas as outras mentiras maldosas proferidas desde então refletiram igualmente egoísmo e desejo errado. Proferem-se mentiras para escapar duma punição merecida, para lucrar à custa de outros, e para obter e manter certas vantagens, recompensas materiais ou o louvor de homens.

Especialmente graves têm sido as mentiras religiosas, visto que põem em perigo a vida futura dos enganados por elas. Jesus Cristo disse: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque percorreis o mar e a terra seca para fazer um prosélito, e, quando se torna tal, fazeis dele objeto para a Geena duas vezes mais do que vós mesmos.” (Mt 23:15) Trocar a verdade de Deus pela “mentira”, pela falsidade da idolatria, pode induzir a pessoa a se tornar praticante do que é degradante e vil. — Ro 1:24-32.

O caso dos líderes religiosos do judaísmo, no tempo do ministério terrestre de Jesus, mostra o que pode acontecer quando alguém abandona a verdade. Eles tramaram a morte de Jesus. Daí, quando ele foi ressuscitado, subornaram os soldados que guardaram o túmulo, para que eles ocultassem a verdade e difundissem uma mentira sobre o desaparecimento do corpo de Jesus. — Mt 12:14; 27:1, 2, 62-65; 28:11-15; Mr 14:1; Lu 20:19.

Deus não pode mentir (Núm 23:19; He 6:13-18), e ele odeia a “língua falsa”. (Pr 6:16-19) Sua lei dada aos israelitas exigia uma compensação pelos danos resultantes duma trapaça ou duma mentira maldosa. (Le 6:2-7; 19:11, 12) E quem desse falso testemunho devia receber a punição que queria infligir a outro por meio das suas mentiras. (De 19:15-21) O conceito de Deus sobre a mentira maldosa, conforme refletido na Lei, não mudou. Aqueles que desejam obter a Sua aprovação não podem empenhar-se na prática da mentira. (Sal 5:6; Pr 20:19; Col 3:9, 10; 1Ti 3:11; Re 21:8, 27; 22:15) Não podem viver em mentira, afirmando amar a Deus, ao passo que odeiam seu irmão. (1Jo 4:20, 21) Ananias e Safira, por trapacearem o Espírito Santo ao mentir, perderam a vida. — At 5:1-11.

Todavia, aqueles que de momento são levados a mentir não se tornam automaticamente culpados dum pecado imperdoável. O caso de Pedro, ao negar Jesus três vezes, ilustra que, quando a pessoa se arrepende sinceramente, Deus a perdoa. — Mt 26:69-75.

Ao passo que a mentira maldosa é definitivamente condenada na Bíblia, isto não significa que a pessoa seja obrigada a divulgar informações verídicas àqueles que não têm direito a elas. Jesus Cristo aconselhou: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis as vossas pérolas diante dos porcos, para que nunca as pisem debaixo dos seus pés, e, voltando-se, vos dilacerem.” (Mt 7:6) Foi por isso que Jesus, em certas ocasiões, refreou-se de dar plenas informações ou respostas diretas a certas perguntas, quando isso poderia ter causado dano desnecessário. (Mt 15:1-6; 21:23-27; Jo 7:3-10) Evidentemente, o proceder de Abraão, Isaque, Raabe e Eliseu, em desinformar ou em reter os plenos fatos dos que não eram adoradores de Yehowah, deve ser encarado na mesma luz. — Gên 12:10-19; cap. 20; 26:1-10; Jos 2:1-6; Tg 2:25; 2Rs 6:11-23.

Deus permite a “operação do erro” para com aqueles que preferem a falsidade, “para que fiquem acreditando na mentira” em vez de nas boas novas sobre Jesus Cristo. (2Te 2:9-12) Este princípio é ilustrado pelo que aconteceu séculos antes no caso do Rei Acabe, de Israel. Profetas mentirosos asseguraram a Acabe êxito na guerra contra Ramote-Gileade, ao passo que o profeta de Yehowah, Micaías, predisse o desastre. Conforme revelado numa visão a Micaías, Yehowah permitiu que uma criatura espiritual se tornasse “um espírito enganoso” na boca dos profetas de Acabe. Quer dizer, esta criatura espiritual usou os seus poderes sobre eles de modo que não falaram a verdade, mas sim o que eles mesmos queriam dizer e o que Acabe queria ouvir deles. Embora avisado de antemão, Acabe preferiu ser enganado por essas mentiras e pagou com a vida. — 1Rs 22:1-38; 2Cr 18.