"*RÁDIO SOTELO*"

domingo, 3 de fevereiro de 2013


A Prova de Fogo de Abraão




Passados 17 calmos anos, Abrão vivia um período feliz com sua família.
Também fazia 17 anos que Abraão havia recebido a última mensagem de Deus.
Nesta época, Isaque já era um jovem de 20 anos.
Subitamente chegou uma nova revelação de Deus que representava a prova máxima que pudesse sobrevir a um ser humano. (Gênesis 22:1)
Deus o chamou pelo nome, e ele respondeu:
_ Estou aqui.
Esta visão, que lhe sobreveio, foi a oitava ocasião na que Deus falou a Abraão.
Então Deus disse:
_ Pegue agora Isaque, o seu filho, o seu único filho, a quem você tanto ama, e vá até a terra de Moriá. Ali, na montanha que eu lhe mostrar, queime o seu filho como sacrifício. (Gênesis 22:2)
Se estas palavras foram pronunciadas lentamente, como é provável, Abraão deve ter sentido sucessivamente orgulho, temor e horror.
Nos tempos antigos, era comum o sacrifício de seres humanos, especialmente de crianças.
Tanto a Bíblia como a arqueologia afirmam que os Cananeus praticavam tais ritos.
Portanto, não era uma idéia estranha para Abraão ter que sacrificar seu primogênito para Deus.
Ao passo que Deus proibia explicitamente tais sacrifícios, provavelmente este pedido de Deus não ficou muito claro para Abraão, mesmo assim ele obedeceu.
Não conseguindo dormir, Abraão se levantou de madrugada, pegou o seu jumento, cortou lenha para o sacrifício e saiu para o lugar que Deus havia indicado. Isaque e dois empregados foram junto com ele.
Abraão era um homem de ação, e agora que Deus tinha falado, seu único pensamento foi obedecer imediatamente.
Temendo a possível oposição e interferência de Sara, determinou partir imediatamente para o ponto designado por Deus antes que sua esposa o interrogasse..
Sua atitude como foi descrita neste versículo, expressam admiravelmente sua calma e a impressionante obediência ao cumprir a ordem divina.
Sua voz calma e suas mãos firmes de nenhuma maneira traíram a emoção interna de um coração que estava quebrado e sangrando por dentro.
Tudo o que era necessário para a longa viagem foi preparado rapidamente com muito cuidado.
A esta altura, já havia um grande amadurecimento espiritual em sua vida e não tinha mais nenhuma seqüela dos momentos de debilidade do passado.
Como um nobre herói da fé que terminou sua preparação, Abraão respondeu imediatamente quando foi chamado para enfrentar sua hora suprema da prova. Este foi o ponto máximo de sua experiência espiritual.
Serenamente se elevou até uma altura nunca superada por mortal algum e se qualificou para ser chamado como o “pai da fé”.
Após dois dias de viagem Abraão, Isaque e seus dois servos haviam chegado até a terra de Moriá.
Duas noites de insônia tinham sido passadas em oração.
Levantando-se cedo pela manhã ao terceiro dia, Abraão contemplou o sinal de origem divina, uma nuvem de glória, que indicava a montanha onde devia realizar-se o sacrifício.
Então disse aos empregados:
_ Fiquem aqui com o jumento. Eu e o menino vamos ali adiante para adorar a Deus.
O solene dever que Abraão estava por cumprir, lhe pareceu demasiado sagrado para outros olhos e ouvidos humanos. Só Deus podia compreender.
Durante dois dias tinha ocultado seus pensamentos e emoções. Isaque ia ser o primeiro a conhecer e o único em compartir com ele essa hora de paixão e emoção.
_ Eu e Isaque iremos até lá e adoraremos, e voltaremos mais tarde.
Ainda que não entendesse o propósito de Deus, Abraão acretidava firmemente que Deus ressucitaria Isaque após o sacrifício (Heb. 11: 19).
Afinal Deus, não havia prometido sem reserva nenhuma, que Isaque ia ser seu herdeiro?
Abraão não esperava ser liberado do horrível ato de sacrificar a seu próprio filho, mas acreditava que Isaque lhe seria restaurado.
Por isso falou com fé quando disse “Voltaremos”.
Que fé impressionante!





Deus provê a Abraão no Monte Moriá



Abraão, empunhando um cutelo faz o movimento para finalmente sacrificar a Isaque.
Mas nesse instante, lá do céu, o Anjo do SENHOR o chamou, dizendo:
- Abraão! Abraão!
_ Estou aqui – respondeu ele.
O Anjo do Senhor disse:
_ Não machuque o menino e não lhe faça nenhum mal. (Gênesis 22:12)
O patriarca tinha demonstrado amplamente sua fé e obediência e tinha satisfeito plenamente os requisitos de seu Deus.
_ Agora sei que você teme a Deus, pois não me negou o seu filho, o seu único filho.
Deus não desejava a morte de Isaque.
Na realidade, não tinha interesse em nenhuma oferenda que implicasse um sacrifício como esse.
Deus sempre desejou a obediência voluntária de seus servos.
Abraão olhou em volta e surpreendentemente viu um carneiro preso pelos chifres, no meio de uma moita. (Gênesis 22:13)
Ao descobrir o carneiro aceitou como um sinal adicional da providência de Deus.
Abraão não precisou esperar instruções de Deus a respeito do que tinha que fazer com ele.
Pegou o carneiro e o ofereceu como sacrifício em lugar do seu filho.
No versículo 08 Abraão tinha dito que Deus proveria.
Eles não tinham trazido em vão a lenha o fogo e a faca, nem haviam preparado o altar inutilmente.
É por isso que até hoje o povo diz: “Na sua montanha o SENHOR Deus dá o que é preciso.” (Gênesis 22:14)
Lembrando agora suas próprias palavras proféticas dirigidas a Isaque, Abraão chamou o lugar Jehová-jireh, “Deus proverá”.
Foi perto deste morro que os dirigentes judeus, em sua dureza, rejeitaram ao verdadeiro Cordeiro de Deus.
Após o carneiro ter sido oferecido, mais uma vez o Anjo do SENHOR, lá do céu, chamou Abraão e disse:
_ Porque você fez isso e não me negou o seu filho, o seu único filho, eu juro pelo meu próprio nome – diz Deus, o SENHOR – que abençoarei você ricamente.
Esta foi à última revelação divina a Abraão que se tem registro na Bíblia.
Deus aceitou sua lealdade e obediência e reafirmou as promessas feitas com tanta freqüência em ocasiões anteriores.
_ Farei com que os seus descendentes sejam tão numerosos como as estrelas do céu ou os grãos de areia da praia do mar; e eles vencerão os inimigos.
Esta é entre as promessas dadas a Abraão, a única que faz referência aos “inimigos” sobre os quais triunfaria sua descendência.
Provavelmente esta é uma predição de que seus descendentes seriam vitoriosos sobre seus inimigos na futura conquista de Canaã.
_ Por meio dos seus descendentes eu abençoarei todas as nações do mundo, pois você fez o que eu mandei.
Abraão feliz e aliviado como nunca, voltou para o lugar onde estavam os seus empregados, e foram todos juntos para Berseba, onde Abraão ficou morando.

Abraão creu na palavra de Deus, e foi obediente ao ponto de provar a todos os que testemunharam suas ações, inclusive nós que lemos a Bíblia, que ele sacrificaria seu filho amado, Isaque, se Deus assim o requeresse.
Abraão foi justificado pela sua fé, mas teve que provar que tinha essa fé.