"*RÁDIO SOTELO*"

domingo, 23 de dezembro de 2012


SALVAÇÃO POR GRAÇA - ESPÍRITO E LEI
Escrito por Daniel Juster
Artigo extraído do livro "Jewish Roots - A foundation of Biblical Theology"
Tradução: Igor Miguel - Ministério Ensinando de Sião - Brasil

O uso popular das palavras “salvação” e “salvo” é uma distorção do rico significado Bíblico dos termos. Nas Escrituras, salvação inclui a plena libertação de uma vida insignificante de transgressões, vazio, alienação e trevas, tendo relação com vida após morte, uma vida de relacionamento com nosso Criador, também significa esperança, cura, comunhão com outros e a garantia de eterna vida com Deus. Infelizmente, a palavra “graça” é um conceito que não é percebido em muitos pensamentos. Muitos, por exemplo, crêem que graça significa que Deus suspendeu os estatutos morais de Sua Lei para nos aceitar. Como Ele apenas nos aceitou, agora então só precisamos crer – porém não é este o sentido correto. Isto é totalmente contrário à visão Bíblica de graça.

Nas Escrituras, graça é uma oferta não merecida de Deus para nos perdoar, não obstante o fato que nós somos pecadores ou transgressores da Lei. Deus ainda mantém seu caráter e Lei em sua oferta, porque Yeshua pagou a penalidade da Lei. Nele, nós podemos ser contados como cumpridores da Lei. Isto é crucial para entendermos que Deus nos julga como um povo nEle.

Nós estamos “NELE” (Gálatas 2:20) e estamos NELE tratados como justos. Ele é perfeito de acordo com a Santa Lei de Deus. Por isto, Davi pode dizer no Salmo 32:2: “Bendito é o homem de quem o Senhor não imputa iniqüidade”. Isto também é claro nos Salmos, onde Davi se entrega totalmente à misericórdia de DEus por perdão e sem depender de seus próprios méritos. Ele disse: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade, e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões... Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo, lava-me e ficarei mais alvo que a neve” (v. 1,7). Vida Eterna é um Dom de Deus (Rm 6:23) e ninguém pode merecer isto, porque ninguém é justo (Sl 53:3). Por isto, Deus disse de Israel, que Ele não os escolheu por causa de alguma justiça ou capacidade neles mesmos (especialmente Dt 8-10).

Assim a recepção do Dom de Deus em Yeshua requer uma resposta de fé. Nós só podemos ser justos perante DEus porque estamos NELE, e somente Ele é perfeitamente justo de acordo com a Lei de Deus. A fé toma o Dom de Deus e pela Fé nós nascemos de novo e recebemos um novo Espírito (Ezequiel 36:26; II Cor 5:17). A palavra hebraica “Fé” (emuná) não pode ser divorciada da palavra “Fidelidade” (emuná). Uma verdadeira resposta a Deus vem de um coração ou espírito cujo desejo é obedecer e favorecer a Deus. Salvação por Fé nunca leva à frouxidão moral quando corretamente entendida. Paulo diz ainda em Romanos 3:31 como a Lei de Deus é confirmada em Yeshua e em nosso novo e obediente coração. “Anulamos, pois a Lei pela fé? Não de maneira nenhuma! Antes confirmamos a Lei”. Jeremias refletiu a relação entre fé e fidelidade quando declarou que o Espírito escreveria a Lei de Deus em nossos corações (Jeremias 31:33).

A Graça de Deus é eficaz. É o Poder de Deus conosco, nos capacitando a fazer a Vontade de Deus. Deus em Yeshua nos libertou da penalidade da Lei; mas nós não removemos a Lei ou seu valor para ensinar e guiar (II Tm 3:16-17). I João 3:4 diz que “Pecado é a transgressão da Lei”. Romanos 6 diz que nós não devemos lucrar com o pecado ou ‘continuar em pecado para que a graça seja mais abundante’. Obviamente, se nossos corações responderam a Deus, não desejaremos quebrar Sua Lei. Pecado é a transgressão da Lei (I Jo 3:4). Como somos livres da escravidão das penalidades da Lei nós podemos agora cumprir a Lei pelo Poder de Deus (Romanos 8:1-4). Podemos dizer o que Salmista disse: “Como amo tua lei, ela é minha meditação todos os dias da minha vida...Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca”. A mensagem das Escrituras nunca divide graça de obediência, mas ensina que o coração deve ser mudado primeiro.

“Porque pela graça sois salvos mediante a fé, e isto não vem de vós é Dom de Deus. Não vem de obras para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). “Porque Deus é quem opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13).
Tiago disse: “Fé sem obras é morta” (Tg 2:20).

Paulo ensina que nós somos “Justificados por graça” (3:7), e então nos exorta sermos cuidadosos: “aplica-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens” (Tito 3:8).

O Tanach também registra este relacionamento entre fé, obras e a Lei, com Abraão, por exemplo: “Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado como justiça” (Gn 15:6), mas Gênesis 26:4-5 diz: “E multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e darei à tua descendência todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as nações da terra; Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis”. Nós somos justificados (aceitos como justos) por fé, mas o justificado tem um coração inclinado à Vontade de Deus e Sua Lei. (Veja Tiago 2, que comenta sobre Gênesis 26). Nós desejamos ser obedientes e cumprir seus mandamentos.

Outro assunto da contemporaneidade de grande desentendimento é a relação entre Espírito de Deus (dentro de cada discípulo de Yeshua) e a Lei. Alguns põem o Espírito e a Lei em total oposição, o que é uma impossibilidade Bíblica. (...)

Primeiro notemos que o pecado é a transgressão da Lei, “Qualquer que comente pecado transgride a Lei, porque o pecado é a transgressão da Lei” (1 Jo 3:4). Paulo claramente mostra que a relação do Espírito com a Lei não é antitético. O Espírito revelou a Lei; Ele escreveria a Lei de Deus sobre nossos corações (Jr 31:33 e Ez 36:26). Por isto Ele diz: “Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Rm 6:15-16).

O que Paulo tem em mente é que o Autor da Lei habitaria em nós, nos dando um senso intuitivo de retidão bem como um amor em obedecer a Lei em seu verdadeiro espírito e intento. Então nós não serviríamos um estatuto de artigos externos com o que fazer e não fazer (um código escrito), mas em novidade de Espírito. Em outras palavras, o Espírito faria da obediência uma responsabilidade pessoal de amor sem legalismos.

Romanos 7 e 8 são os grandes capítulos que sumarizam isto, que a melhor forma de obediência é através do poder do Espírito. Isto é porque, de nosso próprio poder em nossa natureza caída (chamada a carne), é impossível obedecermos a Lei. O problema não é a Lei. Ela reflete o eterno caráter e padrão de Deus. Yeshua disse que nem um “jota” ou “til” da Lei passaria atém que tudo fosse cumprido. Céus e terra podem passar, mas a Lei de Deus não. (Mt 5:17-18). Assim, Paulo disse: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado” (Rm 7:7, 12, 13, 14 e 16). Isto seria suficiente para convencer qualquer um da postura positiva de Paulo para com a Lei. O problema não é a Lei, mas nossa natureza pecaminosa que é tendenciosa à transgressão da Lei. Tão caído homem é, que ele é capaz de usar o mandamento como um pretexto, para imaginar a ação proibida até cair no ato pecaminoso.

“Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado” (Romanos 7:7-8).

Paulo descreve o homem tentando obedecer a Lei por sua própria força, sem conseguir fazer até o que ele tem vontade. Essa é a “lei” ou o “princípio” da natureza pecaminosa e isto perpetua um estado de morte física e espiritual (a lei ou o princípio de morte).

O clamor por este objetivo é o seguinte: “Miserável homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24). A solução é: “Dou graças a Deus por Yeshua HaMashiach (Jesus) nosso Senhor” (Rm 7:25). Através Dele, nós temos recebido um renovo espiritual, e ao reconhecer que morremos Nele para o nosso “velho eu” e que ressuscitamos para uma nova vida, conseqüentemente nós somos fortalecidos pelo Espírito para não sermos escravos do pecado. Nós ainda podemos cair, mas agora temos o poder para obedecer. De nossa posição em Yeshua, podemos crescer em obediência progressiva no amor. Conseqüentemente, o Espírito capacita-nos a cumprir a Lei (Rm 3:31). Então, “Nenhuma condenação há para aqueles que estão em Yeshua” (Rm 8.1 seg).

A questão não é um conflito entre Lei e Espírito, mas entre carne e espírito. Ou nós tentamos agradar a Deus por nosso esforço carnal em guardar a Lei, ou dependemos da ressurreição do poder de Seu Espírito em nós. Estamos firmando nossas mentes na dependência do Espírito. Pelo Seu poder, nós podemos agradar a Deus.

Com este entendimento, o Judeu Messiânico não tem ambivalência em ver à palavra como um TODO “proveitosa para doutrinar, para reprovar, para corrigir e instruir em justiça” (II Tim. 3:16-17). Verdadeiramente ele pode dizer como o Salmista: “Oh, como eu amo Tua Lei”. Ainda mais agora, quando ele ama a demonstração do sentido de Lei e Espírito na verdade em Yeshua HaMashiach